Defensores participam de audiência pública sobre regime prisional no STF
O defensor público-geral do Estado, Stélio Dener e o subdefensor público-geral, Oleno Matos, participam nesta segunda-feira (27) e terça (28), da audiência pública que debate a falta de vagas no regime prisional brasileiro.
A audiência foi dividida em duas etapas. Na primeira, realizada pela manhã, 12 especialistas na área, entre defensores públicos, juízes e representantes de organizações envolvidas na área carcerária, fizeram a exposição de seus posicionamentos. A audiência continuou a tarde desta segunda, com a exposição de outros 12 especialistas, e prossegue na manhã de terça-feira (28), quando nove exposições serão realizadas.
Questionado sobre a possibilidade de o STF editar uma Súmula Vinculante sobre a questão, solicitação feita pela Defensoria Pública-Geral da União (DPU) na Proposta de Súmula Vinculante (PSV) 57, o ministro Gilmar Mendes, responsável por convocar a audiência, reiterou que objetivo das exposições é subsidiar o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 641320. Ele disse acreditar que, já no início do próximo semestre, o STF terá condições de levar a matéria a julgamento no Plenário.
Na PSV 57, a Defensoria Pública pede a edição de uma súmula vinculante que permita o cumprimento de pena em regime menos severo diante da falta de vagas no regime semiaberto. “Esse tema terá de merecer uma análise por parte do Tribunal, inicialmente no que diz respeito à decisão sobre o recurso extraordinário e, em seguida, sobre a própria edição ou não de uma súmula vinculante”, disse o ministro, lembrando que a matéria teve repercussão geral reconhecida, ou seja, a decisão que os ministros do STF tomarem no processo será aplicada a todos os recursos idênticos.
“O sentido dessa audiência é permitir que tenhamos um julgamento devidamente informado, que o Tribunal possa fazer uma avaliação de todo esse quadro e, ao mesmo tempo, chamar a atenção de todas as autoridades responsáveis. [Esse] é um tema extremamente complexo, por isso estamos discutindo com todos os setores”, disse.
Após ouvir os relatos de representes da Defensoria Pública e da magistratura de diversos Estados, o ministro afirmou que o quadro do sistema prisional brasileiro é até “mais preocupante” do que percebido inicialmente. “O chocante nesse tipo de caso é que, por mais que a gente se julgue conhecedor dessa realidade, a gente ainda se descobre pouco informado diante do quadro grave das coisas que acontecem e da falta de uma ação consertada. Daí a necessidade que envidemos esforço ouvindo todos os Poderes para uma solução”, reiterou.
A audiência acontece na Sala de Sessões da Segunda Turma do STF, localizada no 4º andar do Anexo II do STF, e está sendo transmitida pela TV Justiça e pela Rádio Justiça. Hoje (27), as palestras ocorrem em dois períodos, das 9h às 12h e das 14h às 17h. Amanhã (28), a audiência será realizada das 9h às 12h, com apresentações de outros oito participantes. Cada instituição inscrita tem 15 minutos para sua apresentação.
O Processo
No processo que originou a discussão, o Ministério Público do Rio Grande do Sul questiona decisão do Tribunal de Justiça do Estado que concedeu prisão domiciliar a um condenado porque não havia vaga em estabelecimento para que cumprisse pena em regime semiaberto, no qual o preso passa o dia fora, estudando ou trabalhando, e é recolhido para o pernoite.
O MP-RS considera que a decisão ofende o princípio da individualização da pena, na medida em que “padroniza as penas e iguala os desiguais”, e alega que o regime aberto foi decretado de “forma genérica e abstrata”, sem a análise das particularidades do caso.
