Crianças podem ficar sem atendimento

Não bastassem os problemas vividos no seio da família biológica, agora mais de 50 crianças em situação de risco e vulnerabilidade social sofrem outros transtornos. Apesar de tutelados pelo poder público no abrigo infantil Pedra Pintada, em um bairro na zona Oeste da Capital, as crianças podem ficar a qualquer momento sem assistência básica. É que os 54 funcionários do abrigo foram exonerados no início deste mês pela prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB). Contudo, por amor às crianças, as servidoras continuam desenvolvendo suas funções, mesmo sabendo que já estão fora da folha de pagamento.

“Só queremos um posicionamento do Município. O que não pode é abandonar essas crianças. Fomos todas exoneradas, do vigia à equipe técnica. Imagina se fôssemos para casa, quem cuidaria dessas crianças, que já sofreram tantos traumas?”, lamentou uma servidora, que preferiu o anonimato.

No final da tarde de ontem, a defensora pública na área da Infância e Juventude, Terezinha Muniz, lamentou o problema, por isso avisou que hoje vai comunicar a situação ao Juizado e aos conselhos tutelares. “E já tenho uma audiência marcada com a secretária municipal de Gestão Social, Edileusa Barbosa. É bom entender que a proteção da criança e do adolescente é prioridade, matéria constitucional”, ressaltou.

Terezinha explicou que a Defensoria tem a obrigação legal de acompanhar a execução de medidas protetivas e sócio-educativas ao referido público. E o abrigo, ainda segundo ela, é uma instituição de acolhimento de crianças de zero a 12 anos. “Portanto, temos aqui (no Pedra Pintada) 54 crianças em situação de risco e vulnerabilidade social. E quem vai tratar delas, uma vez que mais de 50 servidores foram exonerados?”, questionou.

O que mais preocupa os servidores, cerca de 40 remanescentes, é a demora na substituição por profissionais qualificados a lidar com o público infantil. “Ainda estamos aqui por amor a essas crianças, que já sofreram tantos traumas. Mas também temos família e precisamos receber no final do mês. Não vamos abandoná-las, mas esperamos uma definição para o problema, o quanto antes”, comentou uma servidora exonerada.  

Entre o público atendido no abrigo há quatro anos, dois recém-nascidos necessitam de cuidados especiais. Mas até as duas técnicas em Enfermagem foram demitidas. “Tem criança que não para de chorar porque sente falta das ‘mães’ servidoras. É preciso entender que aqui se cria vínculo com as crianças, que agora vivem outro drama, infelizmente”, lamentou a defensora pública.

Os exonerados não adiantaram até quando permanecerão trabalhando de forma voluntária no abrigo, mas pedem uma solução urgente para o problema. “Amamos essas crianças e só continuamos por causa disso, mas temos também nossas vidas, nossas famílias. Temos que receber no final do mês”. Então, que a prefeita resolva logo esta situação”.

SEM RETORNO – A Folha entrou em contato por telefone, no início da noite de ontem, com a Assessoria de Comunicação da PMBV, mas não houve retorno até o encerramento da matéria, às 19h25. (AJ)

 

Fonte: Folha BV

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